Quem são os Capuchinhos
A Ordem dos Frades Menores, em seu esforço por permanecer fiel às intenções do fundador, São Francisco de Assis, passou por muitas dificuldades ao longo de sua história, o que a levou a desacordos e organizações diferentes. Os três ramos maiores da Primeira Ordem, os Frades Menores, os Frades Menores Conventuais e os Frades Menores Capuchinhos, tiveram cada um sua organização e estrutura legal, mas todos apelam para São Francisco como seu pai e fundador.
Os Capuchinhos são o ramo mais recente, de 1528, quando alguns Frades Menores das Marcas quiseram viver uma vida mais estrita de oração e de pobreza para estarem mais perto das intenções originais de São Francisco. Graças ao apóio da Corte Pontifícia, o novo ramo obteve bem depressa o reconhecimento e cresceu rapidamente, primeiro na Itália e depois, após 1574, em toda a Europa. No Brasil estiveram pela primeira vez em 1612, no Maranhão. O nome “capuchinhos” refere-se à forma especial do longo capuz; no começo foi como um apelido, depois passou o nome oficial da Ordem, que atualmente existe em 99 países em todo o mundo, com cerca de 11.000 frades que vivem em mais de 1.800 comunidades (fraternidades). Simplicidade, proximidade do povo, espírito fraterno em nossas casas e no apostolado são os sinais visíveis que caracterizam nosso estilo de vida, ainda que tenha que ser incrementada a importância dada pelos primeiros capuchinhos à PENITÊNCIA-POBREZA E À VIDA DE ORAÇÃO AFETIVA: “... levantavam-se à meia noite e rezavam muito devotamente com muitas lágrimas e suspiros” (Leg 3Comp., 41, 7). “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Quem o encontra esconde-o de novo e, cheio de alegria, vai vender tudo o que tem e compra o campo. O reino dos céus é também semelhante a um comerciante à procura de boas pérola. Achando uma preciosa, vende tudo o que tem e a compra” (Mt 13, 44-46).
Para os primeiros capuchinhos a pobreza externa e interna é o meio fundamental do seguimento de Cristo, é o que permite seguir Cristo. Os primeiros capuchinhos entendiam que a pobreza evangélica é a maior libertadora dos laços o egoísmo e dos afetos mundanos: “Para que os frades subam às alturas da altíssima pobreza, rainha e mãe de todas as virtudes, esposa de Cristo Senhor nosso, e do seráfico pai, e nossa diletíssima mãe, exortam – se todos os frades a que não queiram ter nenhum afeto na terra, mas sempre ter seu amor no céu, usando como que por força estas coisas baixas, quanto é possível à fragilidade humana, julgando-se ricos por sua pobreza” (Fontes Capuchinhas - FC -, I, p. 290s). Os primeiros capuchinhos estabeleceram com precisão o fundamento teológico da pobreza minoritica: a escolha de Cristo, que se fez pobre por nós .Lemos nas Constituições de 1536: “Todos os frades pensem que a pobreza evangélica consiste em não ter afeto por coisas terrenas, em usar as coisas deste mundo parcimoniosamente, como que por força, obrigados pela a necessidade e para a glória de Deus, a quem devemos reconhecer que tudo pertence” (FC, I, p. 340).
Frei Mateus de Bascio dizia: “Podereis chamar-vos filhos legítimos de São Francisco quando, vivendo nestes lugarezinhos tão pobres, não tiverdes afeição nenhuma, porque o afeto das coisas terrenas é um peso grave que segura a alma na terra, não a deixando voar para seu Criador” (FC, II, p. 1135). Para Francisco de Jesi tal austeridade era um meio excelente de discernimento vocacional, pois o candidato que não vinha animado por um verdadeiro espírito e uma vontade sincera de seguir Cristo nos padecimentos não podia resistir a uma vida dessas, e ia embora (Cf. FC II, 1164). VIDA FRATERNA: Por mais que a pobreza seja exaltada na documentação do primeiro século capuchinho, nunca é interposta à caridade. “As santas virtudes, especialmente as santíssimas caridade e pobreza, com a oração, são muito necessárias e preciosissimos ornamentos do verdadeiro frade menor” (FC, II, pp. 831 -833). Era justamente a caridade solicita e alegre que tornava doce os apertos da pobreza.
É bonita a resposta dada por Francisco de Jesi ao frade que achou gostosa a sopa que ele tinha feito: “Pus caridade aí dentro” (FC, II, p. 1148). Um autor, que usou pseudônimo de Bonito Combasson e escreveu uma apologia dos capuchinhos, conta o caso um frade que se fez cartucho mais depois ficou doente e, vendo-se muito só por causa do tipo de vida da nova comunidade, repetia com saudades: “A caridade dos capuchinhos! A caridade dos capuchinhos!” (FC, 1, p. 1274). APOSTOLADO: Os primeiros capuchinhos eram conscientes de que tinham escolhidos uma vida “apertada”. Mais virulenta do que a peste de 1523 foi outra que, unida a carestia, invadiu uma grande parte da Itália em 1528/1529; para a reforma dos capuchinhos foi o batismo da caridade. O heroísmo demonstrado nesses meses atraiu para o lado deles a veneração de todas as classes sociais, e foi o argumento mais válido que levou o papa Clemente VII a aprovar aquela forma de vida. Bernardino de Colpetrazzo descreve longamente a tensão martirial que levou à decisão tomada de comum acordo: “... com a licença de Frei Ludovico de Fossombrone, todos partiam alegremente para oferecer a vida no serviço das vitimas do contágio” (FC, II, pp. 1223-1227).
“Vós conheceis a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer com sua pobreza” (2 Cor 8, 9).