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HOMÍLIA NA ASSEMBLÉIA
Estamos vivendo um momento de grande importância para a nossa história: a II Assembléia Provincial. Momento de convivência e de avaliação de nossa caminhada. Outro momento que acabamos de viver foi a visita canônica.
As Visitas Canônicas ou Visitas Pastorais são previstas em nossa Constituição e também no Direito Canônico e devem ser feitas pelo superior provincial ou por um delegado autorizado pelo mesmo.
Estamos completando dois anos à frente da Província e, nesse período, já tivemos a oportunidade de nos encontrarmos com todos os irmãos, seja nos capítulos locais ou em visitas especificas às fraternidades. Em 2006, visitamos todos pela primeira vez, no final do Capítulo, três meses depois visitamos todos novamente, desta vez, acompanhando do Definidor Geral; três vezes nos capítulos locais e, em 2007, duas vezes. Visitei algumas fraternidades em datas específicas ou por problemas particulares. Esta última visita tem uma característica própria, que é a de fazer um balanço geral da caminhada da Província a nós confiada no triênio 2006 – 2008. Lembrando ainda que foram realizadas, em 2006 e 2007, visitas especiais às casas de formação.
Ouvem-se muitos comentários entre os frades, com relação à caminhada da Província, mas depois dessa visita e da conversa com todos os irmãos posso dizer que não estamos às mil maravilhas, porém, não estamos mal. Existem dificuldades isoladas por parte de alguns frades, descontentamentos e pequenos conflitos internos nas fraternidades, nada que não possa ser resolvido.
A formação deve ser o cerne de nossas preocupações, porque nelas se encontra o futuro da Província. Temos procurado dar ênfase às casas de formação. Além das visitas feitas às fraternidades da Província durante estes quase dois anos do nosso triênio, as casas que mais visitamos foram as casas de formação. Escrevemos também uma circular especifica à formação.
Temos chamado atenção constantemente sobre a formação, tanto intelectual como espiritual. Somos uma fraternidade com 74 professos perpétuos, 29 professos simples, 4 noviços, 9 postulantes do segundo ano, 11 postulante no primeiro ano e 5 seminaristas menor; ou seja, uma família de 141 pessoas. Pelo tamanho da fraternidade, podemos dizer que estamos bem; é claro que quanto maior é a família, maiores são as dificuldades.
Um dos grandes problemas de nossa fraternidade provincial é a falta do sentimento de pertença, isso implica em problemas como a falta de zelo pelas nossas coisas, o valorizar mais as amizades externas que os irmãos, o individualismo e não colaboração com as fraternidades locais e nem com a fraternidade provincial. Não temos dúvidas em afirmar que há um bom número de “irmãos que deixam a desejar”. Existe também uma falta de confiança entre os irmãos,. Encontramos irmãos que estão sempre com um pé atrás, que nunca se abrem para os outros. Também é muito presente o “disse me disse” e isso nos deixa um ambiente de inverdades, de maledicências, e até de inimizades.
Não sabemos o que fazer para enfrentar esses problemas, mas pensamos que, lentamente, começando pelo provincial, pelo definitório, superiores locais, ou seja, por todos, precisamos transmitir mais segurança e manifestar mais serenidade no nosso serviço e nunca ver o serviço como poder. Temos muito medo de que o serviço fraterno se torne uma corrida pelo poder na fraternidade provincial.
Sem nenhuma dúvida; financeiramente, nossas fraternidades se encontram bem. Não encontramos nenhuma passando dificuldades ou necessidades. Temos até algumas fraternidades com gastos desnecessários e até mesmo agindo de forma irresponsável na administração. Deixam muito a desejar ainda, as prestações de conta; alguns fazem uma prestação de conta como se o provincial fosse um tonto. É suficiente uma olhada de cinco minutos para perceber que algo não vai bem naquela prestação de contas. Fazendo uma comparação entre a nossa primeira visita e as posteriores, percebemos uma certa melhora nas prestações de contas, ma ainda há um longo caminho a percorrer.Temos algumas sombras em nossa caminhada, ma também muito caminho feito e muitas alegrias.
O Natal deve impulsionar-nos a vivermos como Cristo: pobres. A Assembléia Provincial nos introduziu concretamente nessa reflexão. Somos chamados a viver a pobreza de modo radical, pois o Senhor de tudo nasceu pobre. Se o criador nasceu pobre, nós pelo voto de pobreza e em conformidade com toda a tradição franciscana não temos o direito de pretender riquezas materiais. Isso seria um grave pecado. Em cada Natal o Senhor continua buscando aquela humilde cabana para continuar a nascer. Façamos com que nossos conventos espelhem essa pobreza. Assim Ele encontrará a porta aberta para nascer entre nós e com isso as nossas fraternidades serão sinais não apenas de esperança, mas da alegria de quem já acolheu a salvação.
Na alegria do Natal convido todos os irmãos a se rejubilarem pela Ordenação Sacerdotal de Frei Ribamar, de Frei Martinely, de Frei Fábio e de Frei Jailson. Louvado seja Deus pelas vocações que Ele nos envia para o serviço na Igreja e na Ordem. A esses nossos irmãos fazemos os votos de fecundo ministério, repletos de contentamento, pois quem é chamado a servir o Senhor deve sentir-se privilegiado em servir a Igreja, a Ordem e o mundo.
Como filhos de São Francisco e escutando os apelos da Ordem para uma solidariedade de pessoal, temos a alegria de enviar em missão dois irmãos. Os dois devem partir para Cuba no mês de janeiro. Este não é um compromisso de um irmão ou do provincial, mais um compromisso de toda a Província e todos devem se alegrar por este momento.
Outro motivo de grande alegria para nós e para todos os capuchinhos do Brasil tem sido a visita do Ministro Geral e de todo o Definitório à CCB. Foram três dias de convivência com grande proveito para a nossa caminhada. Naquela oportunidade foram examinados os principais desafios que a Ordem enfrentada no mundo e no Brasil. Os desafios não devem ser motivo de desânimo, mas devem nos incentivar para que intensifiquemos nossos esforços na alegria do serviço.
Como é bom vivermos juntos na alegria de sermos irmãos! A assembléia Provincial tem sido um momento de intensa alegria. Naqueles dias tivemos a oportunidade de conviver e de avaliar a nossa caminhada. Não podemos no projetar no futuro sem antes termos avaliados o que estamos fazendo no presente.
Concluí há poucos dias a visita canônica em todas as fraternidades e posso afirmar com sinceridade a todos os irmãos que há mais motivos para a satisfação do que para o desânimo ao considerarmos a realidade da nossa Província. O Senhor continua a nos abençoar ao enviar-nos vocações e a nossa jovem Província vai se firmando e fortalecendo na sua caminhada e adquirindo lentamente seu rosto e sua identidade.
Somos uma Província jovem que engatinha na busca de sua identidade, dando os primeiros passos rumo à maturidade e de forma independente. Não precisamos nos preocupar com os problemas, eles sempre existirão, seja numa instituição social, religiosa ou governamental, os problemas são a prova de que estamos vivos e que não devemos desistir de lutar pela busca do equilíbrio, embasados em nossa Fé e em nossa Vocação.
Diante do que vos foi exposto, quero concluí dizendo que um dos maiores desafios de nossa província é manter a unidade. Temos sinais visíveis de divisão que, se não forem cuidadosamente refutados, podem desestruturar a Província e a sua caminhada. Portanto, cabe ao provincial, ao definitório e a todos os irmãos colocar como bandeira principal: a unidade, o bem comum de todos. Somos uma família e todos devem amar essa família e lutar para que ela continue unida, crescendo sempre mais.
Belém, 12 de dezembro de 2007
Frei José Rodrigues de Araújo
Ministro Provincial
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