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A Missão dos Capuchinhos em Cuba

 Premissa

                                                                                                       

O prelúdio do apostolado missionário da Ordem Capuchinha, no Caribe, desenvolveu-se no cenário de Cuba, e nas extensas regiões ao sul dos Estados Unidos, especificamente, a Luisiana e a Flórida, na época, pertencentes a Coroa espanhola. Esse período foi precedido, ou quiçá, preparado a partir do século XVII, pela passagem meteórica de dois Missionários Apostólicos, cujo labor em defesa da libertação dos escravos fora interrompido pelo encarceramento e extradição de ambos para serem julgados e punidos na Espanha. 

Cronologicamente a presença dos Capuchinhos nesses rincões, registra-se em duas etapas. A primeira iniciada em Havana, em 1784, manteve-se até a ascensão do liberalismo espanhol ao poder, em 1820, quando foram obrigados sob força anti-clerical a submeter-se à secularização. A segunda etapa inicia-se em Bayamo no ano de 1905, e avança vertiginosamente por mais de meio século. Infelizmente, o triunfo do comunismo marxista cubano em 1959, impôs aos Capuchinhos o recuo e o controle de suas atividades e a extinção da maioria delas. Sob essas condições, em 2005, celebrou-se o primeiro centenário dessa segunda presença.

Precursores

Antes que a Ordem se fizesse presente oficialmente em Cuba, aprouve à Divina Providência enviar nos meados do século XVII,  ao  “novo mundo”, os Missionários Apostólicos,  frei Francisco José de Jaca e Aragão, e frei  Epifânio de Morians e Borgonha, heróicos defensores dos escravos negros e índios. Eram de províncias e nacionalidades diferentes, e não se conheciam. Frei Francisco era espanhol e missionário na Venezuela, e frei Epifânio, era francês e missionário na Guyana. Em julho de 1681, os dois se encontraram e se conheceram no porto de Havana, e a partir dessa data, sob o lema, “libera eum qui iniuriam patitur”  (Eclo.4,9), os dois se engajam na luta pela libertação dos escravos e, permanecem a trancos e barrancos, em Havana, até novembro de 1863 quando são deportados prisioneiros à Coroa (cf. Anxo, I / PUC - Salamanca, 2003).

Um século após a passagem desses Capuchinhos “revolucionários” por Cuba, passou por Havana, frei Antonio de Muro, Província de Valência. Ele foi o instrumento através do qual Deus se serviu para suscitar a idéia do Colégio Missionário de Havana. Em agosto de 1779, frei Antonio, regressava à Espanha, após erigir um colégio missionário em Santafé de Bogotá. A pedido do bispo Dom Santiago Echevarría, frei Antonio prega missões populares em algumas paróquias do vasto território do bispado havanero, deixando a todos admirados, a começar do bispo.  Desejoso de que os Capuchinhos assumissem a obra das missões populares em Cuba, Luisiana e Flórida, o prelado pediu a frei Antonio que, chegando à Espanha, tramitasse com seus superiores a respeito do proposto. E, destarte, a fundação de um colégio missionário em Havana, cuja finalidade seria preparar profissionalmente, católicos de Cuba, Luisiana e Flórida.

Acordo entre a Coroa e os Capuchinhos

Tão somente chegou à Espanha, frei Antonio expôs o projeto do bispo aos seus superiores – Província de Valência -, os quais embora tenham gostado se viam impotentes ante tal empresa. Então informaram ao ministro das Índias, José Gálvez, para que propusesse à Província de Castela. A idéia agradou aos castelhanos e, imediatamente o Provincial escreveu uma Circular, para provocar os frades e despertar vocações missionárias.

Por esse tempo, 1783, entre os castelhanos respirava-se uma atmosfera de fervor e regozijo pela beatificação de São Lourenço de Bríndisi, fundador da Província.  A essa altura das negociações, o ministro das Índias, em carta de 24 de abril 1781, comunicava a Dom Echevarría que a Coroa doava aos missionários, em Havana, o antigo Convento de São Filipe Néri, outrora propriedade dos Oratorianos, confiscado pelos ingleses  quando assaltaram Havana em 1763.  Aos 22 de março de 1782, o rei Fernando II, decreta o estabelecimento do Colégio Missionário de Havana.

Envio de missionários

Afortunadamente, conservou-se a lista do primeiro grupo, de 29 missionários enviados pela Província de Castela à Cuba: vinte e um sacerdotes e oito irmãos. Sob as bênçãos de São Lourenço de Bríndisi, zarparam do porto de Cádiz, aos 25 de fevereiro de 1784, e navegaram até Porto Rico, onde fizeram uma escala e pregaram uma missão de 21 dias. Aportaram em Havana, no dia 12 de junho de 1784. Um ano depois, o prefeito do Colégio, frei Isidoro de Fermoselle, escreve ao Provincial: “nesse Colégio, vivemos com correspondente religiosidade, trabalhando incansavelmente no púlpito e no confessionário, para honra e glória de Deus e o bem das almas, e ademais, para honrar o hábito capuchinho.” Enquanto uns dedicavam-se ao Colégio, outros percorriam a Ilha, pregando missões populares. Desse período, pouco se pode dizer sobre o trabalho desses missionários; essa lacuna é compreensível, haja vista que esses “operários” sobreviveram a duas exclaustrações (1829 e 1841) e a duas guerras cubanas para a independência: uma de dez anos (1868 a 1878), e uma menor (1895 a 1898), que terminou com a intervenção norte-americana. Nesse período, os Capuchinhos foram se extinguindo paulatinamente, sem que chegasse mais reforço da Espanha.

A “Constituição de Cádiz”

Com a ascensão do liberalismo espanhol ao poder, foi promulgada, aos 25 de outubro de 1820, a chamada “Constituição de Cádiz”, a partir da qual seriam determinadas severas leis contra as Ordens Religiosas, tanto na Coroa quanto nas Colônias. Os Capuchinhos, em Cuba, estavam em um beco sem saída; ou permaneciam na Ilha, exclaustrados, ou regressavam à Espanha, onde a perseguição se fazia mais radical. Em Havana, o bispo Espada y Landa, era de idéias liberais e, mantinha empreendida suas diligencias, para que os Capuchinhos fossem eliminados; não conseguiu, porém, os levou no cabresto até 1832, quando morreu, felizmente. No ano seguinte, morre também Fernando II. Começa a guerra da sucessão, e os liberais voltam ao poder em 1841, e recrudesce a perseguição contra os religiosos e, aquela substancial lista de 29 missionários, eliminada pela barbárie dos liberais, anti-clericais, foi minguado com o tempo: uns preferiram a exclaustração forçada, outros regressaram à Espanha, os mais velhos foram morrendo, e os mais ousados, despidos de sua identidade – hábito e barba -, preferiram viver na clandestinidade, até o dia em que a morte arrebatou o último deles, em 1861, desse violento exílio.

Assim terminaram os dias dos Capuchinhos da “primeira hora” em Cuba, prelúdio de uma história que se repetiria, revestida da ideologia marxista, cem mais tarde. Eles que lá estiveram para trabalhar como pregadores de Missões Populares terminaram seus dias acusados pelo bispo Espada, de serem “frades que não paravam no Convento, e por isso, não tinham vida regular comunitária.”  A famosa lei de exclaustração, executada em Cuba, em 1841, apagou a vida capuchinha em “São Filipe Néri.” Sem necessidade de suprimi-los, como queria o bispo Espada, extinguiram-se lentamente, ceifados pela morte.

Um Capuchinho no bispado de Havana

Frei Jacinto Maria de Peñacerrada inicia sua carreira eclesiástica, clandestinamente entre as duas exclaustrações dos liberais. Em 1843, se une a uma expedição de missionários capuchinhos enviados à Venezuela. Frei Jacinto, porém, desembarca no México e logo a seguir, passa para Cuba, onde trabalhará por onze anos (1847–1858). Coincidentemente, frei Jacinto inicia o seu apostolado na dita igreja de São Filipe Néri. Em pouco tempo de sua estada em Havana, o bispo Bitencourt o nomeia juiz sinodal e pároco de São Nicolau, no centro de Havana. Em 1853, é nomeado pároco e vigário forense de Matanzas, na costa sul do país, onde permaneceu até 1858.  A partir dessa data volta à Espanha faz o doutorado em teologia e, logo em seguida é enviado a Roma como professor de apologética no Colégio Missionário da Ordem. Aos 11 de junho de 1865, é ordenado bispo e nomeado para o bispado de Havana. Pena que nessa data já tivesse morrido o “último Capuchinho clandestino em Cuba.” Nesse mesmo ano, aos 28 de outubro, toma posse do bispado havanero. O finado bispo Espada deve ter estremecido no túmulo, ao ver um pobre Capuchinho, sentado na cátedra que outrora fora sua. 

O novo bispo, que na Espanha havia experimentado a perseguição das correntes laicistas e liberais, em Cuba, onde se agitavam as idéias revolucionárias por sua independência, respirará ódio, rechaço e perseguição a tudo o que é espanhol. Dito e feito! Em março de 1868, inicia-se a primeira guerra de independência e com ela, começa uma acirrada onde de perseguições ao pobre bispo, que culminará com o desterro em 1871, quando ele regressava do Concílio Vaticano I. Sem permitir que o Prelado descesse do navio no qual acabara de chegar, os nativos, envenenados da mais sórdida xenofobia, deixaram-se vencer pelo ódio e o deportaram para a Espanha, onde morreu, dois anos depois. No texto da oração fúnebre se lê: “morreu pobre, em uma cela pobre do convento dos capuchinhos, o bispo da opulenta Havana, como morreram pobres e desconhecidos, Miguel de Cervantes e Cristóvão Colombo.” Testemunhando sua breve passagem pelo bispado de Havana, ergue-se majestosamente, o Monumental Cemitério “Cristóvão Colombo” cujo perímetro abarca uma área de quatro mil metros quadrados.

Período de restauração:

Por volta de 1850, os Capuchinhos da Venezuela vivem e trabalham em um ambiente de incompreensões e lutas constantes, entre liberais e maçons, pela conquista do poder. Ante o temor de uma eventual expulsão, encarregaram frei Estevão de Andoáin e mais quatro religiosos para irem a Havana iniciar os trâmites de “re-fundação” da presença dos capuchinhos em Cuba. Não obstante, passos satisfatórios com as autoridades, não faltou gente mal intencionada que fizesse fechar o caminho para os frades, perdendo-se qualquer esperança. Desiludidos, um voltou à Espanha, outro ofereceu tributo à morte e, frei Estevão, secularizou-se e foi trabalhar em Bayamo, com Santo Antonio Maria Claret, prelado de Santiago de Cuba. Nesse período o bispo Antonio Claret, intercede ante a rainha Isabel II, para restaurar certas Ordens religiosas, entre elas os Capuchinhos. Por indicação do padre Andoáin, Antonio Claret se põe em contato com a Província de Navarra, lhe oferece uma solução econômica, e mais a residência de Bayamo. A proposta não foi aceita.

 Restauração e consolidação:

Finalmente, a segunda geração de Capuchinhos chega a Cuba, no alvorecer do século XX, após 64 anos de ausência e, desta vez, se estabelecem na prócer cidade de Bayamo, região oriental do país, há 750 km de Havana. Nesse período, a difícil situação sócio política da Venezuela obriga Capuchinhos a emigrar temporariamente à Porto Rico. É daí que os frades passam para Cuba, em 1905, e instalam-se na legendária Bayamo, onde os colonizadores pisaram pela primeira vez a terra cubana. O ambiente não era tão favorável aos missionários, ao contrário, era desafiador. Os “orientais” estavam carregados de sentimentos anti-clericais.

O anti-espanholismo era muito visível e praticado radicalmente. Porém, a paciência, a amabilidade e o trabalho deles, impõem-se definitivamente e a Ordem instaura-se novamente em Cuba. Em 1919, avançaram rumo ao centro do país e se estabeleceram em Cruces, no Estado de Villa Clara, onde assumem a paróquia e organizam a Escola Missionária. Até aqui, Cuba e Porto Rico constituíam uma única jurisdição, com custódio autônomo.

A partir de 1929, os frades que estavam em Porto Rico, foram agregados à Província da Pensilvânia (EUA), e os que estavam em Cuba, voltaram à jurisdição da Venezuela, então Custódia provincial de Castela. Enquanto isso, em Bayamo e Cruces, os frades realizam um abnegado trabalho como missionários, catequistas, professores e párocos. Em 1942, o Custódio provincial, frei Antonio de Vigamían, visitando os frades em Cuba, trouxe na bagagem o desejo de abrir uma casa, ou melhor, uma nova residência em Havana, e encontra no Cardeal Arteaga y Betencourt, mui vinculado aos Capuchinhos, a benevolência em abrir-lhes as portas e, em 1944, lhes entregava a arruinada igreja de São Salvador, em Marianao, periferia de Havana. Como sempre, os bispos oferecem aos religiosos, as igrejas mais “acabadas”, física e espiritualmente. Para essa frente missionária, foram destinados: frei Vitório de San Martín, frei Aniceto de Mondoñedo e frei Balbino de ferral.

Pujança e expansão:

Finalmente, chegou a época da pujança para os Capuchinhos. Aos 10 de abril de 1948, tomaram posse da paróquia “Divina Pastora”, na cidade de Santa Clara, centro do país. Nesse mesmo ano, enquanto assistiam “São Salvador”, projetaram-se para o futuro e iniciaram a construção do convento e da igreja da Ordem. Deram-lhes um terreno de 500 m2,  em Miramar, nas aforas de Marianao, e ali no meio do mato, em dez anos (1948/1958), levantaram a colossal e magnífica igreja dedicada a Cristo Rei, popularmente chamada “Jesus de Miraramar”, com convento anexo. O complexo “Jesus de Miramar” outrora construído no mato, hoje, exibe majestosamente sua influente arquitetura românico-bizantina, na exuberante Avenida das Américas, mais conhecida como “quinta avenida”. A famosa “Avenida das Américas” alberga as Embaixadas dos vários Corpos Diplomáticos creditados em Cuba, inclusive a Nunciatura Apostólica e a Conferência Episcopal, além dos luxuosíssimos hotéis cinco estrelas para turistas estrangeiros. Durante esse decênio, contemporaneamente à construção de Miramar, construíram no centro de Havana, um conventinho com capela provisória e a Escola Missionária, inaugurados em 1954. No terreno anexo, se ergueria no futuro, o santuário de “Cristo de Límpias.” 

Instalação da Custódia Provincial de Cuba:

Aos 5 de maio de 1955, o Ministro Geral, frei Benigno de Santo Hilário Milanese, com portaria de 24/55, decreta a ereção canônica da Custódia Provincial de Cuba, desmembrada da Custódia da Venezuela, ambas afiliadas à Província de Castela. A primeira “lista” de recomposição das fraternidades, nessa época, consta de 22 frades (17 sacerdotes e 5 irmãos), distribuídos em cinco fraternidades: Jesus de Miramar, Cristo de Límpias, Divina Pastora, Cruces e Bayamo. Nesses gloriosos anos da Custódia, além do apostolado paroquial, os frades estavam engajados na pastoral extraordinária: magistério universitário (PUC), missões populares, comunicação (rádio, televisão, jornal), educação formal e popular. Estava projetada a construção do Seminário Seráfico, cuja pedra fundamental já havia sido colocada, porém, com o triunfo da Revolução cubana a 1 de janeiro de 1959 e, consequentemente a sua guinada radical para o comunismo marxista, obrigou a história dos Capuchinhos a tomar outra direção.

Exílio e desterro:

Com o triunfo do comunismo em Cuba, o novo regime imposto, foi como um freio brusco que brecou o dinamismo da Custódia recém instalada. Os frades começam, forçosamente, o caminho de volta à Pátria-mãe. Monsenhor Agostinho Román, cubano condenado ao desterro, escrevendo sobre a deportação de Dom Eduardo Boza Masvidal, bispo auxiliar de Havana, de modo lacônico, comenta:

 “Já nos encontrávamos dentro do navio espanhol “Covadonga”, quando o vimos chegar. Era o dia 17 de setembro de 1961. O traziam escoltado por um grupo de milicianos armados com escopetas, e seus rostos reluziam desprezos para com aquele homem. O expulsavam como quem se livra de um demônio... Se notava que ele estava esgotado porque não o deixavam dormir pelos intermitentes interrogatórios... Os milicianos, com olhadas de ódio, mantinham sua postura militar, enquanto ele subia a escada que dá acesso à bordo. Da porta, ele os olhou compassivamente, os abençoou e entrou. Dentro do navio, já nos encontrávamos 135 sacerdotes condenados ao exílio forçado, porque o governo comunista de Cuba, não nos queria. Ao meio dia, pontualmente, ao toque da sirene, o “Covadonga” afastou-se do cais do porto, enquanto dos edifícios nos acenavam, os que ficariam em Cuba à mercê do novo regime...” (cf. “Voz en el Destierro”,11).

Note-se que, em um só dia, foram deportados 135 sacerdotes e um bispo. Nestas e em outras viagens, os Capuchinhos foram saindo de Cuba; somente o octogenário frei Jacinto de Valadares, fazendo uso do nome civil, sem barba e sem hábito, permaneceu clandestinamente atendendo “Cristo de Límpias” e “Jesus de Miramar”. Em 1990, no auge do “período especial” cubano - tempo da fome provocada pela queda do bloco soviético -, regressou à Espanha, desgastado pela intempérie do comunismo marxista que há meio século “persegue” a Igreja em Cuba.

A voz do Magistério:

“A meados de 1960, devido à unificação estatal da Informação, excluíram dos Meios de Comunicação Social, nossos programas televisivos e radiofônicos, levados ao ar por nossas lideranças”. Suprimiram nossas publicações e encarceraram seus responsáveis, acusados de contra-revolucionários. Em maio de 1961, com a declaração de caráter socialista marxista da Revolução o governo fechou nossos colégios. A grande maioria dos religiosos abandonou o país temendo represálias e perseguição, deixando para trás, asilos, hospitais, orfanatos, paróquias, escolas universidades e obras sociais. Aproximadamente, dos 800 sacerdotes que havia no país, restou pouco mais de 200. Igual ao número de religiosas que restou das 2000 que trabalhavam em Cuba.

As nossas Cartas Pastorais foram censuradas como subversivas e, por conseguinte, contra revolucionárias. Com a nacionalização das escolas e universidades católicas, aproximadamente cem mil alunos ficaram privados da assistência religiosa; ademais, nossa ação pastoral foi reduzida aos Templos, e consequentemente muito mal atendidos pela escassez de sacerdotes. Em muitos casos, havia sacerdotes que atendiam três, quatro e às vezes até cinco paróquias. Tendo perdido nossas instituições educativas e assistenciais, nossos quadros pastorais diminuíram quase 90%; isso significa que a Igreja, nesses últimos vinte anos, vem enfrentando dia a dia, uma situação difícil e desafiadora. No momento vivemos uma etapa de tolerância limitada!” (cf. ENEC. 1987, p.41).

A sina dos Capuchinhos:

Esse contexto é suficiente para entender que a nascente Custódia teria dificuldades para sobreviver. Assim, de modo brusco, os frades foram obrigados a abandonar Bayamo, Cruces e São Salvador, deixando para o Estado, os imóveis onde funcionavam escolas e obras sociais. “Em Cristo de Límpias” o governo revolucionário confiscou a Escola Missionária e o terreno anexo ao Convento onde seria construída a basílica nacional do “Santo Cristo de Límpias” e, no local montou uma Unidade do Ministério do Interior; no outro lado, encravado na parede do convento, instalou uma feira agropecuária; na parte de trás, colocou um almoxarifado e garagem mecânica dos carros do “Poder Popular”.

Em Santa Clara, nacionalizou o Colégio “Divina Pastora” e, por conseguinte, os frades ficaram morando com um colégio público dentro de casa. Das três residências que restaram, a única que permanece intocável é “Jesus de Miramar” (na Quinta Avenida), porém nunca permitiu a conclusão da torre campanária. A promissora Custódia, esvaziou-se em apenas quatro anos. As dificuldades obrigaram os frades a regressar à Espanha e, nesse quase meio século de regime castrista, a Província de Castela e a Ordem vêm alternando os frades na difícil missão em Cuba, quiçá para não entregar de mão beijada ao regime ditatorial de Castro, os prédios da Ordem que poderão ser melhor utilizados quando chegar o tempo da bonança. Atualmente, reduzidos a uma Delegação com sete frades, dispostos em três fraternidades, desafiados a subsistir no atual totalitarismo, e prosseguir a “Plantatio Ordinis”, nessa terra insular, onde os Capuchinhos pouca sorte tiveram.                

Monumento a Nossa Senhora da Conceição

Uma página a mais de história capuchinha nos anais da Ordem! Para comemorar o primeiro Centenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, em 1950, os frades coadjuvados pelo povo, em Santa Clara, erigiram um  imponente Monumento à Nossa Senhora, e nele puseram uma cópia da “Imaculada de Murillo”, talhada em mármore de carrara, de três metros de altura, cujo peso é de 1.080 kg. O monumento inaugurado em 1950, sobreviveu até a chegada do comunismo radical cubano, em janeiro de 1959, doutrinado pelo ateísmo científico de Karl Marx. De início, dando sinais de como executariam a doutrina marxista, os comunistas derrubaram o dito monumento, e a estátua da Imaculada enterraram, secretamente, em  um terreno pantanoso de igapó. Aí, enterrada, como que para sufocar o sentimento religioso do povo, permaneceu por trinta anos, até que a erosão invernal permitiu à curiosidade de um camponês, segador de capim, descobri-la numa vala que canalizava água das chuvas. A descoberta atraiu a atenção da população, que para lá acorria pressurosa, em permanente “romaria”, para comprovar o fato.

Irritados pelo acontecido, os inimigos da religião armaram outra façanha, desrespeitosa à fé católica. Ignorando o valor histórico-artístico da obra, ou quiçá, para satisfazer apenas seus caprichos, arrancaram-na com guincho e jogaram-na no “ferro velho”, como se fosse sucata. Tinham a iconoclasta idéia de desmanchar aquele símbolo da fé mariana, e reaproveitá-lo na confecção de uma estátua de Che Guevara. Inconformado com tamanho insulto, o ancião e já falecido bispo diocesano, Dom Fernando Prego, muniu-se da documentação que prova a propriedade de posse aos Capuchinhos, e resolveu enfrentar a intolerância dos comunistas, seus compatriotas. Suou, mas conseguiu. Apresentando marcas de deterioro pelo tempo em que esteve enterrada no igapó, e sem querer restaurá-la, para não perder o valor histórico, Dom Prego, deu-lhe lugar de honra à entrada da Catedral. Hoje, a “Imaculada dos Capuchinhos”, corroída pela intempérie comunista, ocupa lugar de destaque na Igreja Mãe da Diocese, guardando para os pósteros, a história da Igreja católica, sob o regime totalitário de Fidel Castro em Cuba.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Início da causa de beatificação do cardeal Van Thuân
No quinto aniversário da morte do purpurado vietnamita

ROMA, quarta-feira, 25 de abril de 2007- Dom Giampaolo Crepaldi, secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, anunciou que está a ponto de começar a causa de beatificação do cardeal Fraçois-Xavier Nguyên Van Thuân.

O Cardeal Van Thuân (1928-2002) é considerado como um mártir do catolicismo no Vietnã.

Testemunha da fé, da esperança cristã, do amor à Igreja e aos pobres, sem ter nenhuma culpa permaneceu detido durante treze anos -- nove em absoluto isolamento -- nos campos de «reeducação» comunista.

Formado em Roma e consagrado bispo de Nhatrang em 1967, François-Xavier Ngyen Van Thuân foi nomeado por Paulo VI em 1975 como arcebispo coadjutor de Saigon (a atual Ho Chi Minh). O Governo comunista definiu sua designação como um complô e três meses depois ordenou sua prisão.

Após sua libertação, foi obrigado a abandonar o Vietnã. João Paulo II o acolheu em Roma e lhe confiou cargos de grande responsabilidade na Cúria.

Em março de 2000, comoveu a milhões de pessoas que puderam ler fragmentos das meditações que pronunciou durante seus exercícios espirituais a João Paulo II e à Cúria, momentos nos quais compartilhou muitas das experiências espirituais amadurecidas no cárcere.

O purpurado vietnamita as publicou depois no livro «Testemunhas da esperança», publicado no Brasil pela editora «Cidade Nova».

Nomeado cardeal em fevereiro de 2001, morreu em 2002, aos 74 anos.



                

  O “DIÁRIO” DE FRANCISCO DE ASSÍS!

 Chamo-me Giovanni Bernardone.  Esse foi o nome que minha mâe escolheu para a ocasiâo do meu batismo (LTC.2). Meu pai nâo estava presente, pois, era comerciante de tecidos importados e, nessa data, estava na França ocupado em seus negócios; e destarte, nessa época, era comum batizar as crianças nos dias imediatos ao nascimento. Quando meu pai chegou, mudou o meu nome, chamando-me Francisco, em homenagem à França, pátria de minha mâe. Nascí na cidade de Assís, regiâo da Úmbria, Itália, no ano 1182, filho de Pedro Bernardone e Jeanne Boulermont. Minha mâe era uma mulher piedosa e, por isso, desde muito cêdo, me inculcou os valores da fé católica; o meu pai era homem ativo e, por isso, muito voltado para as lidas do comércio. Messer Bernardone era um conceituado “empresário” da Úmbria, de cujo poder econômico legamos a etiquêta de burguêses. Éramos uma família pequena, porém, harmoniosa; eu e meu irmâo, Ângelo, estudamos na Escola Paroquial de Sâo Jorge, onde aprendemos o básico de gramática, aritmética e latim, que nunca foi o meu forte; aí recebí educaçâo cavalheiresca fundamentada em  romances e trovas. O pouco francês que sei, aprendi com minha mâe; embora nâo o dominasse, eu gostava de cantar em língua provençal (LTC.10).

 FRANCISCO, era “jovial e de rosto benígno. De estatura mediana, quase pequeno; cabeça de tamanho médio e quase redonda; rosto arredondado e quase saliente; testa plana e pequena; olhos regulares, negros e vivazes; cabelo negro; sobrancelhas cheias; nariz proporcional, fino e afilado; orelhas erguidas e pequenas; pestanas bem feitas; língua ardorosa e aguda; voz veemente, clara e sonora; dentes bem compostos e embranquecidos; lábios pequenos e finos; barba negra e rala; pescoço erguido; braços curtos; mâos delicadas; dedos compridos; unhas salientes; pernas delgadas; pés pequenos; pele suave; esbelto de corpo” (1C.83b).

 Além disso, me encantava liderar a juventude da minha Assís (LTC.7): com perfil de trovador cavalheiresco, eu animava serenatas, agitava bailes e custeava tudo. Muitas vezes minha mâe se aborrecia comigo, porque, estando à mesa com a família e, chegando meus amigos, buscando-me, me levantava sem ter terminado de comer, para atendê-los, pois me buscavam para “agitar” as noitadas. Esse meu modo de ser, agradava ao meu pai, que sonhava com com “Francisco Cavaleiro”; inclusive, quando ele estava de viagem, eu ficava tomando conta do comércio e, ao chegar, ele financiava um substancioso jantar, em casa, para que eu desfrutasse com o meu círculo de amigos. Ele quería que eu fosse guerreiro e, por isso, investiu elevadas somas econômicas nesse projeto. E, ademais, eu era muito vaidoso, e fazia questâo de superar em tudo a meus colegas e sobressaír em exibicionísmos. Cativava a admiraçâo de todos e me esforçava para ser o primeiro em pompas de vanglória, nas brincadeiras, nos caprichos, nas palavras jocosas, nas cançôes e nas roupas de moda.  “Até quase aos vinte e cinco anos vivi assim!” (1C.1-2; LTC.2).

 “ATÉ QUASE AOS VINTE E CINCO ANOS VIVI ASSIM!”

 Quando a minha lúbrica idade me arrastava à minha fogosa juventude, veio sobre mim a unçâo divina, ou seja, uma longa enfermidade que me fez pensar diferentemente (1C.3-5).  Porém, tentei escapar das mâos de Deus. Na idade dos meus vinte anos, por volta do ano 1202, me alistei em um grande arsenal de guerra e tomei o caminho da Pulla, sequioso por ganhar dinheiro, ser famoso e ter estatus. Eu ardia em desêjos de chegar à Pulla, porém, em Espoleto, fui visitado pelo Senhor que, vendo-me tâo ancioso de glória, me atraiu por meio de um sonho, ao cume mais alto da verdadeira Glória (AP.6). No dito sonho, ouvi como se alguém me perguntasse, até onde eu quería caminhar e, ao explicar-lhe meus propósitos, aquela voz acrescentou, chamando-me pelo nome:  “Francisco, quem poderá te ajudar mais, o Senhor ou o servo?… Respondendo que o senhor, me disse: “porque, entâo, deixas o Senhor pelo servo, e o príncipe pelo criado?”… E, após pensar por um instante, lhe perguntei: “Senhor, que que queres que eu faça?”… Entâo, me respondeu: “Volta à tua terra e alí saberás o que tens que fazer!” (LTC.5).

 Despertei aturdido, e começei a pensar no que poderia significar esse sonho. E, assim, como da vez anterior, fiquei fora de mim (1C.4), porém, sonhando com a prosperidade temporal, nessa ao invés, fiquei maravilhado e envolvido por seu diamismo. E, com afinco meditei tanto sobre esse sonho que, naquela noite nâo pude conciliar o sono. Completamente mudado na minha forma de pensar, desistí de seguir à Pulla e, quando amanheceu, voltei apressadamente à Assís, desejoso de conformar-me à vontade divina. Assim, decidido em fazer a vontade do Senhor, , me retirei um pouco do barulho do mundo e dos negócios, procurando guardar, Jesus Cristo, no íntimo do meu ser. Qual prudente comerciante, ocultei à bisbilhoteria “dei paparazzi”, a pérola que havia encontrado (LTC.12). O segrêdo do achado comentei somente com um amigo de muita confiança (Leonis); porém, sem lhe dizer de que “pérola” se tratava. Por isso, desafiado pela curiosidade, sempre se disponia a me acompanhar quantas vezes fosse convidado (1C.6-7).

 *Há muito tempo Franciso já nâo é mais o mesmo, jovial e extrovertido, líder da juventude de outrora. Anda sumido e abstraído em seus pensamentos; convive com pesadêlos; ainda nâo descobriu o que é mesmo que lhe sucede; apenas tem claro uma coisa: seus sonhos de cavalería desvaneceram, e nâo encontrou a felicidade no caminho da guerra. A prisâo nos cárceres de Perusa (2C.4) e a enfermidade o deixaram pensativo e calado. Em sua casa as coisas nâo vâo tâo bem: os ambiciosos projetos de seu pai nâo mais lhe agradam; o “marketing empresarial” de Pedro Bernardone nâo conbina com o seu jeito de ser nem com sua sensibilidade religiosa. No fundo, Francisco já rompeu com o seu ambiente familiar e social; busca lugares solitários onde entrega-se à oraçâo e ao discernimento.              

 “SENHOR, QUE QUERES QUE EU FAÇA?”

 Certo dia, confuso e procurando respostas para minhas inquietudes, cheguei à igreja de Sâo Damiâo, na periferia de Assís; me chamou a atençâo, seu estado de abandono e, cativado por sua simplicidade, acabei entrando para rezar; quiçá guiado pelo Espírito do Senhor. Me prostrei suplicante e devotamente ante ao Crucifixo que estava  no altar-mor, e rezei com toda a sinceridade da minha alma: “Altíssimo e glorioso Deus, ilumina as trevas do meu coraçâo, dá-me fé reta, esperança certa e caridade perfeita; sentido e conhecimento, Senhor, para cumprir teu santo e veraz mandamento, amém!” Enquanto eu rezava, sentia que minha alma estava sendo visitada por algo especial, divino, jamais experimentado. Me sentia diferente de quando entrei. E, nesse transe, o ícone do Crucificado, movendo os lábios, chamou-me pelo nome, e disse-me: “Francisco, nâo estás vendo que a minha igreja está em ruínas?… Vai, Francisco, e resconstrói a minha igreja!” E, com tremor lhe respondi: “Sim, Senhor, o farei!” (LTC.13; 2C.10).

 Confirmado pelo Espírito do Senhor, segui o ditoso impulso da minha alma, pelo qual desprezei tudo o que é mundano, para encaminhar-me rumo a bens maiores. No dia em que saí de casa, me levantei bem cêdo, coloquei os arreios em um cavalo, e o carreguei com fardos de tecidos de escarlate, para vender como era de costume; fiz o sinal da cruz e montei no animal, rumo à Folígno. Aí, na feira livre, vendi a mercadoria e o cavalo, e o dinheiro, me propus doar à igreja de Sâo Damiâo. Aproximando-me reverentemente a ela, entrei, e alí encontrei um sacerdote pobre; com grande fé beijei suas sagradas mâos, lhe expliquei ordenadamente o que estava me sucedendo e quis lhe entregar o dinheiro; porém, sem dar crédito à minha rápida conversâo e por medo do meu pai, nâo quis recebê-lo. Entâo, ao sair, o joguei por uma janela a dentro e fui embora (1C.9).

 “SENHOR, QUEM SOIS VÓS, E QUEM SOU EU?”

 Dessa empreitada, nâo voltei mais em casa; passei a viver em uma gruta perto de Sâo Damiâo, onde, somente o meu amigo confidente sabia; uma vez ao dia ele me levava comida. Alí vivi ocultamente um mês, nâo me atrevendo a sair; apenas orando banhado em lágrimas e suplicando a clemência do Salvador. Prostrado em terra, me interrogava, angustiado: “Senhor, quem sois Vós e quem sou eu? Tu és o Tudo, e eu um vermezinho da terra!” (I Fioretti 2,3).  Certo dia, porém, meu pai rastreou meu paradeiro e correu veloz para onde eu estava e, sem entranhas de compaixâo, me levou à força e me encarcerou no sótâo da nossa casa, pensando que dobraria a minha liberdade e minha vontade, primeiro, através de suas argumentaçôes e depois, com açoites e acorrentamento. Porém disso tudo saí mais decidio a realizar os propósitos de minha alma (1C.10).

 O meu pai nâo era um homem mal, apenas queria o melhor para mim, além de nâo compreender nem aceitar os desígnios de Deus sobre mim. A pesar de tudo, o quero muito. Ao contrário, minha mâe era mais sensível; por isso, desaprovando a atitude do meu pai, me consolou com doces palavras e, correndo o risco de sofrer as consequências, rompeu as correntes que me prendiam, e me deu liberdade. Compreendendo que nâo havia mais nada que fazer, meu pai quis proteger seus bens e, por isso, me intimou a comparecer ante o tribunal para lhe devolver seu dinheiro (1C.11).

 “NÂO MAIS DIREI, PAI, A PEDRO BERNARDONE!”

 Preocupado com seus lucros, meu pai se apresentou no Palácio das Comunas e formulou queixas contra mim, exigindo que lhe devolvesse o dinheiro que eu tinha sustraído de sua emprêsa. Os Cônsules, com medo do meu pai, imediatamente mandaram me intimar a que comparecera, sem falta, a essa especial audiência; porém, eu lhes respondi que, compareceria, somente diante do senhor bispo, Dom Guido, que é o meu pastor. E, assim foi. Dom Guido nos recebeu de modo cortez e com grande alegria. E, em seguida, disse-me: “Francisco, teu pai está furioso contigo! Se, verdadeiramente, desejas ser servo do Senhor, devolve-lhe o dinheiro que tens; pode ser que esse dinheiro tenha sido adquirido injustamente e, por esse motivo, nâo é agradável aos olhos de Deus, que does esse dinheiro como esmola à Igreja. Meu filho, tem confiança no Senhor, porque, ele será a tua melhor ajuda!”

 Confortado pelas palavras do bispo, me levantei extravasando de alegria e, levando ante ele o dinheiro, disse-lhe: “papai, nâo só quero devolver-lhe o dinheiro; devolver-lhe-ei também minhas roupas!”  Entrei em uma sala a parte, tirei todas as minhas roupas, e colocando o dinheiro sobre elas, saí fora, totalmente desnudado, e disse-lhe: “ouçam todos e prestem atençâo: até agora chamei pai a Pedro Bernardone, mas, como tenho o propósito de me consagrar a Deus, devolvo-lhe o dinheiro e todas as roupas que, por seus préstimos as usava; e quero, de agora em diante, dizer: Pai nosso que estás nos céus, e nâo mais, pai, a Pedro Bernardone!” O senhor bispo cobriu minha desnudez com seu manto espiscopal e, assim, terminou a audiência da minha liberdade (LTC.19-20; 1C.14-15).

 *No esforço ingente que exige essa atitude, nâo desmaiará quem tenha uma alma bem formada, na escola da Cruz. Nada importa que, ao longo do caminho, se percam todos os bens, que faltem as bagagens, que se quebrem as armas, com tanto que uma só coisa se conserve: o amor. Com ele ninguém desfalecerá. Será entâo quando arrancaremos das próprias entranhas, um profundo e intenso grito de amor, como o de Francisco: “Meu Deus e meu Tudo!” (I Fioretti II,3).

 “SERVINDO AOS LEPROSOS EM S. SALVADOR!”

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