1.1 Deus
nos chamou à vida
Compreender
a natureza do chamado de Deus à vida dirigido de uma maneira genérica a todos
nós é permear todo sentido da nossa existência. Deus antes de qualquer coisa
nos chamou primeiramente a viver, quis nos trazer a existência, este por sua
vez compreende o primeiro chamado que Deus dirige a nós. No ato criacional Deus
revela sua majestade, concomitantemete demonstra o seu amor pelo homem fazendo
dele a sua mais perfeita obra a ponto de submeter as demais criaturas sob o seu
jugo (Gn 1.26). Quis torná-lo sua imagem e semelhança. Talvez a tradução divina
mais feliz de toda a Bíblia esteja nesta afirmação tão rica de significado
teológico, pois ser “imagem de Deus” já é a vocação. “A vocação não é algo
exterior ao homem, mas está inserida nas fibras do seu ser” (Castagnetti, C., Vocacione, Nuovo dicionario di Spiritualitá,
SP, Roma, 1978).
Ao associar a natureza divina da criação do homem dentro do plano
amoroso de Deus e as ocasiões históricas que leva-nos a descobrir o chamado,
mostram algo que já está em
andamento. Não podemos falar das vocações específicas sem
levar em conta esses aspectos que formam o construto vocacional. Antes mesmo de
sermos formados, Deus já nos conhecia e nos havia consagrado (Cf. Jr 5.),
posteriormente a opção por uma das vocações específicas confirmará essa eleição
dentro da plena liberdade do homem. O ato criativo é essencialmente livre. Deus
cria por amor e determina o projeto humano. O chamado divino que se identifica
com a nossa existência nos dá a certeza
divina da fé sobre o que eu devo fazer. Se a escolha a favor do projeto divino
for positiva, então poderemos tomar as balizas que nos ajudarão a perceber o
rumo a ser seguido pelo vocacionado. Em todos os aspectos operacionalizantes do
chamado é interessante notar que, a iniciativa sempre parte de Deus. Por isso
que o cumprimento, tal qual a aceitação do mesmo se manifesta de forma
concêntrica em que se estabelece uma íntima relação entre o criador e a sua
criatura, esta por sua vez dá sentido a toda a vida.
1.2 O
caminho a percorrer
A
partir desse chamado primordial, o vocacionado é instigado a empreender um
itinerário espiritual, o homem é um ser itinerante, está sempre em caminho,
isto é inerente à sua própria natureza. Na história da salvação nos é
apresentada a figura do caminho, aonde Deus vai ao lado do seu povo realizando
prodígios e portentos. Na nossa história Deus age de maneira semelhante, embora
seja de um modo muito peculiar; a forma dele chamar não é genérica, se olharmos
como ele convidou os vários vocacionados da bíblia notaremos como manifestou-se
de formas bem diferentes. Assim, os meios que ele se valeu para me chamar
poderá não ser os mesmos que ele usará para outras pessoas.Uma coisa é certa, o homem
sempre necessitará de Deus, só ele é capaz de completá-lo, torná-lo
verdadeiramente feliz, esse é um desejo que está incutido no seu coração mesmo
que não perceba, por isso que costumamos associar a opção vocacional ao encontro
da felicidade, pois, atendendo ao chamado do criador em lançar-se a serviço do
seu reino a pessoa humana dá sentido à sua vida. A salvação é a expressão
máxima da plenificação do ser em Deus, só ele é a feliz consumação da nossa vida, o nosso coração não descansará
enquanto não repousarmos nele (Santo
Agostinho), viemos de Deus e para ele voltaremos. Foi esse desejo que
norteou todo o caminho ascético dos Santos da igreja, estes homens de Deus
renunciaram todas as coisas oriundas da carne e abraçaram plenamente as do
espírito, como dizia São Paulo ora a
aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz
(Rm 8,6).