Vocação à vida religiosa
A vida religiosa, profundamente arraigada nos exemplos e
ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus pai à sua igreja, por
meio do Espírito” (VCi). Desde os primeiros séculos da
igreja, muitos homens e mulheres se propuseram a encarara o evangelho
de Cristo em sua radicalidade. Ao assumirem o Batismo como
um grande convite de Jesus à vida nova, estas pessoas se consagram a
Deus e querem ser fermento na massa do mundo. No decorrer
dos tempos, várias congregações se colocaram a serviço dos sem voz e
vez, cuidando de orfanatos, asilos, hospitais, escolas e tantos outros
locais. Vejamos então alguns elementos fundamentais da Vida Religiosa:
*Os votos: religiosos e religiosas colocam-se a serviço do Senhor pela
profissão de três votos que fazem a Deus e ao povo de viverem pobres,
castos e obedientes, ou sejam, não tem nada em nome próprio, querem
olhar o mundo do mesmo jeito que Deus olha, abrindo o coração sem se
prender a nada nem a ninguém, e ser obediente, sobretudo à palavra e
aos desejos do Senhor, colocando-se assim, a serviço da Igreja mediante
o diálogo com seus superiores. *A comunidade: a vivência
desses votos se dá na vida em comum, morando em comunidades com outros
irmãos ou irmãs, lembrando o conselho de que a Igreja, em seu inicio
“era um só coração e uma só alma” (At 4,32). *Fermento e
profecia: a Vida religiosa na Igreja sempre foi uma voz profética,
sempre apontou os caminhos dos preferidos de Cristo, assumiu o desafio
de cada época apresentando alternativas para o evangelho, recordando
que o amor é a plenitude da Lei e o vínculo de perfeição (PC 15). Dentre tantos carismas, há também vários modos de se viver consagrado a Deus:
- Monges e monjas de clausura: são uma das mais antigas formas de vida
religiosa. Vivem nos mosteiros, abrindo mão do espaço para estarem
constantemente na presença do Senhor, na oração, no trabalho, na
convivência fraterna. - Religiosos e religiosas de vida
ativa: são a maioria dos que se consagraram a Deus. Dão testemunho do
Evangelho atuando no mundo em atividades das mais diversas.
- Os Institutos seculares: são pessoas que se consagram a Deus em um
instituto secular e continuam a viver com suas famílias e a exercer o
seu trabalho normalmente, ordenando a vida para o Senhor, “para serem
assim fermento de sabedoria e testemunhas da graça no âmbito da vida
cultural, econômica e política. Através da síntese de secularização e
consagração, que os caracteriza, eles querem influndir na sociedade as
energias novas do Reino de Cristo, procurando transfigurar o mundo a
partir de dentro com a força das bem-aventuranças” (VC 10).
Um olhar bíblico
Um dos textos mais usados para representar a missão dos
religiosos é o de Abraão: ”deixa a tua casa, tua terra e vai para onde
eu te indicar” (Gn12,1). Assim, Deus vai indicando o caminho a seguir,
vai guiando os seus servos pelo deserto da vida” (Gn 12,1). Assim, Deus
vai indicando o caminho a seguir, vai guiando os seus servos pelo
deserto da vida (Ex16), vai convidando a cada um para ser profeta de um
mundo novo, confrontando-se com todas as injustiças. Muitas
pessoas se dispuseram em seguir Jesus, muitos deixaram tudo para irem
livres pelo mundo. Porém, Jesus advertia: “quem quiser vir após mim,
tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24), e “se quiser ser perfeito, vá,
venda tudo o que tem, dê aos pobres e venha” (mt13,44).
Note que Jesus não obriga, não força ninguém, mas diz “se queres”. O
chamado de Deus é sempre um convite, uma proposta, não uma imposição à
força. Nosso Deus é o Deus da liberdade. E ainda, “há
eunucos que nasceram eunucos; outros, porque os homens os fizeram
assim, e outros, se tornaram assim por causa do Reino de Deus. Quem
puder entender, entenda” (Mt 19,12).
Um olhar em Francisco
Após deixar a casa de seu pai, Francisco ainda não sabia
como deveria ser o seu modo de servir ao Senhor. Um tempo depois,
chegaram os primeiros irmãos. Para ele, o dom da
fraternidade foi o maior presente que Deus lhe dera. “Depois que o
senhor me deu irmãos, ninguém mais precisou me mostrar o que eu deveria
fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a
forma do Santo Evangelho” (Testamento de S. Francisco). A chegada dos
irmãos remete Francisco e os irmãos a viverem e a proclamarem o
Evangelho, em castidade, em obediência e sem nada de próprio (RnB 1).
Francisco foi pelo mundo, foi à terra Santa, andou por todos os cantos
da Itália, mas Clara e suas irmãs ficaram no mosteiro de S. Damião,
servindo ao Senhor de um jeito belo e simples. Outros irão
seguir Francisco como eremitas, outros com marido e esposa (Ordem
Franciscana Secular). Não importa o meio, o importante é colocar-se a
serviço do Senhor. Vamos lembrar a passagem do evangelho:
“Coragem, levante-se porque Jesus está chamando você (...) então Jesus
lhe perguntou: o que quer que eu faça por você? O cego respondeu:
Mestre, eu quero ver de novo. Jesus disse: pode ir, a sua fé curou
você. No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus
pelo caminho” (Mc 10,49-52).
Para refletir:
1. O que você entendeu por vida religiosa? 2. O que lhe motiva a aderir a este projeto de Deus? 3.
Tómas de celano ao referir-se a Francisco diz que ele “possuía Jesus de
muitos modos: levava Jesus sempre no coração. Jesus na boca, Jesus nos
ouvidos, Jesus nos olhos, Jesus nas mãos, Jesus em todo o corpo” ( 1Cel
115). Como é que você testemunha Cristo pela vida? Postado por: Victor Ferreira
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